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QUAL É A MÚSICA?
Há quem sempre diga que uma boa música enaltece um momento, um acontecimento, um instante. É como um passaporte de lembranças que é carimbado a cada vez que se ouve uma nota, um refrão, uma batida emoldurada com um quê do momento.
Nos relacionamentos, por exemplo, sempre lembramos das pessoas, muitas vezes, através de uma música que ela gosta ou uma rima daquela canção que nunca decoramos. Nos filmes, lembramos do ator principal através daquele ritmo sonoro que permeou a fita inteira, recheada de cenas que nunca lembramos ou atores que não deram conta do recado. Porém, ao colocar um disco no aparelho de som e ouvir a canção, parece que revimos aquele filme em apenas cinco segundos, apenas ouvindo a trilha do filme.
O engraçado, em qualquer situação, é que o silêncio não faz nenhum sentido, a não ser em troca de olhares.
Certa vez diminuí ao máximo o volume da TV enquanto via o show de uma banda que sou fã número um, e vendo aquela cena muda e só com bocas e instrumentos a tocar, sem som, percebi que a TV transmite idéias não pelas imagens, e sim pelos sons. Principalmente quando acontece um show com belas músicas a tocar como aquele.
De um modo ou de outro, a música condensa o que outras artes não conseguem passar de uma maneira tão sutil e ampla, possibilitando uma união de idéias sem igual. Claro, como qualquer arte, música tem suas “tribos”, seus nichos de gostos, ideais. Isso significa que mesmo odiando o meu vizinho a ouvir um baita pagode em pleno sábado em frente à minha janela (no mínimo torturante), devo ter o mínimo de tolerância com sua preferência musical, pois a música é a mais democrática das artes, e devo respeitar o espaço alheio.
Preste atenção: sempre ouvimos um resquício do que se pode chamar de música, em todos os lugares e situações, mesmo sem ligar o aparelho de som ou mp3 player. Ouvir o som harmônico da natureza ao sair pela manhã para o trabalho é um belo exemplo da música sem ritmo que conhecemos. Principalmente a música que se forma quando a chuva cai numa tarde de verão. Acontece também quando imaginamos a trilha do comercial de TV daquele refrigerante que bebemos no intervalo do trabalho, em que há uma moça no banco e o celular do carinha do lado toca – enfim, lembramos não do comercial, mas sim da sensação que a música propiciou.
Por isso completo: não há um cotidiano sem sons, nem uma vida sem ritmos. Senão não teríamos dois ouvidos para contemplar uma bela música e uma boca para se manter fechada para que não atrapalhe o som do mundo exterior.
Escrito por PRADO_VINICIUS às 16h57
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VAI ALPISTE AÍ?
vbcprado@gmail.com
Dia desses meu irmão ganhou um passarinho, que ainda nem decorei o nome. Preso em uma gaiola mais bonita que ele. Fica boa parte do tempo parado, observando o ambiente, o passar do tempo. Só se movimenta pra valer logo que amanhece, assoviando um canto estridente.
Se eu fosse um passarinho, sentiria falta de ar só em pensar em... uma gaiola. Com roletes de alumínio a me prenderem, morreria de tédio, apesar da boa vida dispensada a um ser de duas asas. Tédio, eis a palavra certa. Será que pássaro sente tédio? Esse de meu irmão eu não sei. Pois vive enjaulado desde que nasceu.
Num panorama diferente, especificamente uma jaula sem roletes de alumínio, denominada rotina urbana, questiono se é preciso ter grades reais para nos sentirmos presos, assim como o tico-tico de meu irmão. Ter uma rotina de casa-trabalho, trabalho-casa, tão comum numa sociedade de regras e protocolos, já não é uma gaiola diminuta e um tanto assustadora para uma sociedade que sempre buscou a liberdade, o diferente?
Não sei a resposta, mas me arrisco a dizer que buscamos vôos a lugares distantes todo o tempo, e esquecemos que estamos sempre no mesmo lugar. Daria um nome a isso: medo.
Somos um pássaro enjaulado por um dono que nos esqueceu de soltar, um elefante que desde pequeno tentou se libertar da corda, e mesmo depois de crescido tem o olhar no passado sem saber que pode romper o cordão sem problemas. >
Depois de pensar tanto, concluo que na vida passada fui um pássaro enjaulado. De tanto tédio, renasci pensando. E analisando melhor, apesar de enjaulado, talvez tenha tido uma vida melhor apenas assoviando a essa de grades invisíveis.
Sem falar no jiló que o tico-tico come (pois odeio jiló), hoje me sentiria mais livre da rotina enjaulado como ele do que aqui do lado de fora.
E quanto a você, vai um alpiste aí?
Escrito por PRADO_VINICIUS às 10h22
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